Todas as cartas de amor...
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
Álvaro de Campos
4 Diz que disse:
Conhece a "Tabacaria"? É outro poema com muito pouco romantismo. Típico de Álvaro de Campos.
Se conheço?!
Vou lá todos os dias...
Não creio que seja caso para tanto, mas houve alguém que disse ser a "Tabacaria" o mais belo poema que alguma vez se escreveu. Julgo ter-se tratado de um estrangeiro, um europeu (supondo, como alguns pretendem fazer crer, que o não somos), o que torna o caso muito sério, dado o estado de miséria mental auto-induzida em que vegetamos.
A "Tabacaria" é na verdade um belo poema, que dificilmente passará pelo crivo higienista e sanitário dos nossos dias.
Imagine-se lá alguém a recomendar hoje, como o Campos fazia então: "Come chocolates, pequena, come chocolates". Ou pasme-se perante a suprema heresia do engenheiro naval: "Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando."
P. Trafaria, se voltar hoje à "Tabacaria, dê cumprimentos meus ao Dono, e também ao Esteves sem metafísica.
Bem cantava o Francisco José:
Cartas de amor
Quem as não tem?
Cartas de amor, pedaços de dor,
Sentidas de alguém...
Hoje ninguém joga as cartas no marco do correio, ninguém escreve cartas, é só telemóvel, SMSs, linguagem seca, despachada, fútil.
Cartas de amor podem ser certos textos que alguns blogues por vezes nos proporcionam.
Mas são tão raros como os dias de sol neste Outubro cinzento...
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